Livro "Evangélicos e Política: os limites entre o sagrado e o profano" análise da 2a. edição atualizada de 2026
A obra apresenta uma radiografia detalhada de como o segmento evangélico deixou de ser um ator coadjuvante para se tornar o principal "fiel da balança" na política brasileira contemporânea. O texto não se limita a descrever o crescimento das igrejas, mas investiga a profissionalização do poder religioso dentro das instituições do Estado.
1. A Transição da Fé para a Ideologia
O livro destaca que a identidade evangélica no Brasil passou por uma mutação. Antes centrada no "isolamento do mundo", a nova postura é de conquista. O autor argumenta que o movimento utiliza a "Pauta de Costumes" (família tradicional, oposição ao aborto e ideologia de gênero) como uma ferramenta de coesão que ultrapassa as barreiras denominacionais. Essa unificação em torno de valores morais permite que líderes religiosos mobilizem massas com uma eficiência que os partidos políticos tradicionais perderam.
2. Teologia do Domínio e Estrutura Institucional
Um dos pontos mais críticos da obra é a análise da Teologia do Domínio. O livro expõe como a ocupação de cargos legislativos e executivos é vista por muitos grupos como uma missão divina. Isso cria um desafio para a laicidade do Estado, pois a fundamentação das leis passa a ser filtrada por interpretações bíblicas específicas. A obra sugere que, para 2026, a estratégia não será apenas apoiar candidatos, mas consolidar uma "bancada orgânica" capaz de pautar o Executivo, independentemente de quem seja o Presidente.
3. O Dilema da Diversidade e a Fragmentação
A crítica mais perspicaz do texto reside na desconstrução do "voto evangélico" como um bloco monolítico. O autor aponta que, embora a moralidade una o grupo, a economia o divide. Grande parte da base evangélica pertence às classes trabalhadoras, que sofrem diretamente com o desemprego e a inflação. O livro projeta que, para 2026, o grande desafio das lideranças será manter o apoio a pautas conservadoras se o governo aliado não entregar estabilidade econômica.
4. Comunicação e a "Guerra Espiritual" no Digital
O livro analisa como a política foi "sacralizada". Candidatos são apresentados como "escolhidos" e adversários como "inimigos da fé". Essa retórica, amplificada por redes sociais e aplicativos de mensagens, cria uma barreira para o debate público racional. O autor alerta que essa polarização extrema, que deve atingir o ápice em 2026, dificulta o diálogo democrático e isola o eleitor em bolhas de confirmação religiosa.
A conclusão do livro é de que o Brasil vive uma "democracia de influências religiosas". Para 2026, a obra prevê que não haverá vitória política sem o aval, ou pelo menos a neutralização, das grandes lideranças evangélicas. O livro serve como um alerta para que as demandas legítimas desse grupo social, não permita que a agenda de fé se sobreponha aos direitos fundamentais de uma sociedade plural, na qual está incluso todos os grups, inclusive os evangélicos.