Toda boa administração começa com um gesto simples e poderoso: ouvir.
Todo líder eficaz é, antes de tudo, um bom ouvinte e observador. É ouvindo, observando e permitindo participação que se constrói um planejamento sólido. Quando os liderados se sentem parte do processo, os planos deixam de ser imposição e passam a ter eco, adesão e legitimidade.
Só então o líder sabe, com maior precisão, qual direção tomar. Só então conquista autoridade e respeito.
Com base nisso, pode executar com eficiência — de forma organizada, delegando, descentralizando e agindo dentro da legalidade.
A última etapa é o controle: acompanhar, corrigir desvios, ajustar rotas e preservar o foco.
Esse ciclo — ouvir, planejar, executar e controlar — é a base de qualquer gestão responsável.
Um administrador consciente entende seus limites. O Estado não pode — e não deve — fazer tudo.
Quando tenta assumir todas as funções, torna-se pesado, ineficiente e caro. Para sustentar essa máquina, aumenta impostos e sufoca a economia. O resultado é conhecido: baixa qualidade nos serviços e crescimento travado.
Infelizmente, o modelo predominante na administração pública brasileira tem seguido esse caminho. O excesso de centralização gera desperdício e ineficiência.
Tenho insistido: a mudança só virá pela ação consciente dos eleitores.
Há três áreas que devem ser o foco central de qualquer administrador público. Elas sustentam todas as demais:
Educação básica
Saúde básica
Segurança pública
Um Estado que concentra energia nessas áreas cria ambiente favorável ao desenvolvimento. Investidores buscam estabilidade, segurança jurídica e capital humano qualificado. A sociedade busca dignidade e previsibilidade.
Sem essas bases, nenhuma outra política prospera.
Nenhuma gestão será bem-sucedida sem transparência.
Transparência significa comunicação clara, prestação de contas contínua, dados acessíveis e fiscalização efetiva. Onde há luz, há menos espaço para corrupção, desperdício e desconfiança.
Talvez alguém pergunte: e transporte público, energia, combustíveis, malha viária, saneamento, ensino superior?
Essas áreas podem alcançar melhores resultados quando o Estado atua como indutor, facilitador e fiscalizador, e não como operador exclusivo.
O Estado deve atrair investimentos, criar ambiente competitivo e auditar com rigor. Não pode concentrar tudo em si mesmo.
Tomemos como exemplo a Petrobras. A dependência excessiva de uma estrutura centralizada no setor de combustíveis demonstra como decisões políticas impactam diretamente a economia nacional. Mercados mais abertos e competitivos tendem a gerar eficiência e equilíbrio de preços.
O Brasil dificilmente alcançará o desenvolvimento pleno sem resolver primeiro sua distorção política e, em seguida, enfrentar com seriedade as questões estruturais de energia, combustíveis e carga tributária.
Quando há concorrência real, há inovação.
Quando há monopólio político, há estagnação.
Boa administração não nasce do improviso nem da ideologia. Nasce de método, foco e responsabilidade.
Ouvir.
Planejar.
Executar.
Controlar.
Focar no essencial.
Reduzir excessos.
Dar liberdade para a sociedade prosperar.
E, acima de tudo, lembrar: a transformação começa no voto consciente.
Sem mudança política, não haverá mudança estrutural.
Celso Corsino